sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A última festa.

Minha última e defunta balança veio “emprestada” da casa dos meus pais há algum tempo atrás, e devo admitir que não tinha muita ideia de onde conseguiria uma nova, a não ser que desse uma passada pelo banheiro dos meus progenitores. Pra falar a verdade, hoje são grandes as chances deu voltar da festa de ano novo, na casa deles, com minha nova balança, caso eles já tenham substituído aquela que desapareceu. Mas ontem não tinha a menor disposição para uma visita mano-a-mano, sem o resto da festa por perto para distribuir a atenção. Porém, ainda queria me pesar; afinal de contas, era quinta feira, dia de pesagem!

Refleti um pouco sobre o assunto e achei que farmácias eram o local com maior probabilidade de vender balanças. Me enganei. Quando entrei na quinta drogaria, percebi que minha empreitada seria em vão. Não que eles não tivessem uma balança por lá, mas era um pouco grande e o gerente engomadinho me disse que não estava à venda. Mesmo se estivesse, não conseguiria carregar aquilo. Tive vontade de subir e me pesar, mas estava com todas as minhas roupas e consegui, naquele momento, pelo menos um pouco de lucidez para desencanar e encher minha cabeça vazia com outra coisa.

Moral da história, ainda não sei meu peso, mas acho que vou conseguir mantê-lo de hoje pra amanhã. Por influência minha, o cardápio vai ser composto por coelho com molho de vinho branco. Tá certo que sempre vai um pouco de manteiga e um pouco de bacon, mas é só não exagerar no molho. Apesar de ser uma carne magra, não é um prato magro, mas ainda é bem melhor do que muitas das outras alternativas. Quanto às bebidas, vou jogar com a técnica do copo quente. Funciona assim: todo copo que você pegar, tem direito a tomar um terço de seu conteúdo. Os outros dois terços você segura até esquentar. Não falha nunca.

Bom, feliz ano novo pra todo mundo e até o ano que vem!

PS: durante meu surto para descobrir meu peso, cheguei a cogitar o uso da balança da cozinha. Não faz sentido, porque ela marca até, no máximo, dois quilos, mas o que afastou a ideia de minha mente não foi esse fator técnico e sim a imagem que me veio a cabeça. Eu tentando me equilibrar naquele tamborzinho de plástico seria algo mais ou menos assim:
Fonte: http://picasaweb.google.com/caballa69/ClipartsDelCircoEnBlN#5363224091700545378

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Meu ano acabou em CLACK!

Nunca dei muita importância para as implicações simbólicas que a virada do ano pudessem trazer para minha vida. Nunca me preocupei muito com os rituais da roupa colorida, ou branca, ou com a lentilha, apesar de realmente adorar lentilhas no geral, principalmente quando temperadas com carne de porco. Sempre que passei a virada na praia, pulei as sete ondinhas, mas nunca me preparei mentalmente para isso antes e, depois do segundo ou terceiro desejo, sendo que um deles sempre foi emagrecer, me falta tempo para pensar. Ou as ondas vêm muito rápido. Mas o fato é que acabo desejando besteiras. Ano passado, eu parcelei a grana que pedi. Foi mais ou menos assim: um milhão de dólares, emagrecer e... um milhão de dólares, um milhão de dólares... e mais três vezes até as ondas acabarem. Adivinhem só quantos milhões de dólares os deuses me mandaram esse ano?

Pelo menos eu emagreci. Ou comecei a emagrecer. Mas alguém sabe quantos quilos eu perdi até agora? Porque a verdade é que eu não sei! Isso mesmo, última quinta feira do ano, última pesagem do ano. Subo na balança com os olhos fechados com aquele medo de sempre do que vai acontecer. Meus ouvidos são perfeitamente capazes de detectar o som das engrenagens girando e minha mente, olhando para o avesso preto de minhas pálpebras, consegue desenhar o ponteiro vermelho indo numa direção, números indo em outra e... CLACK! #$@%^$!! Sabia que não adiantaria muita coisa constatar com a visão o que todos os meus outros sentidos já haviam percebido, mas olhei pra baixo de qualquer forma. Minhas opções eram duas: ou parar a dieta, porque não é normal que eu pese 23 Kg ou comprar uma balança nova.

Ainda tentei com a defunta mais um pouco, dei uma bela chacoalhada, tentei abrir pra ver o que estava acontecendo mas... Nada, estava quebrada. Agora, não sei o que fazer. Ou melhor, não sei em que pensar ou em que acreditar. Será que esse foi um sinal para o ano que vêm e todas as minhas descrenças estavam equivocadas? Será que devo comprar roupas brancas, inclusive sapatos, para passar a virada sem problemas? Ou será um pequeno capricho do destino a desgraça que hoje se abateu sobre mim? Mera coincidência? Bom, que venha o ano novo e aconteça o que tiver que acontecer. Pelo menos me divirto muito na festa!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Os pilares de um relacionamento.

Um pouco antes do natal recebi uma ligação que resultou em um convite para jantar. Segunda feira foi minha vez de ligar para o tal número e marcar uma segunda dose. A proposta foi muito bem recebida e o ponto de encontro seria no mesmo apartamento da última vez. Infelizmente, as coisas boas costumam ter um preço e, nesse caso, a conta viria em calorias. Talvez não seja de fato um problema fugir da dieta uma noite ou algumas noites, se tudo der certo, mas estou indo tão bem em minha proposta e não quero escapulir. Já ganhei minha escapulida durante o natal e foi ótimo, mas tenho um certo receio de que a coisa fuja do controle e que as noites de dieta é que acabem virando a exceção.

Não tinha me planejado para isso mas esse maldito regime começou a me assombrar durante a ligação e, meio sem pensar, disse que eu é quem levaria o jantar dessa vez. Olhando para o passado, foi uma oferta até que bem simpática e generosa. Nada mais justo do que dividir o trabalho na cozinha. Além disso, acabei criando uma oportunidade para conseguir manter a dieta! Perfeito, conseguira resolver o problema. Ou, pelo menos, parte dele. Sabe, você não pode oferecer um jantar e aparecer com uns peitos de frango e salada de alface. Pelo menos, eu não acho que seria razoável fazer uma coisa dessas. É claro que sempre poderia contar que estou de dieta, mas continuo achando que esse fato não deve ser mencionado. Até que é bom ter um segredo, não entregar quem você é completamente, logo de cara. É isso ai, um dos pilares para o nascimento de um relacionamento saudável é a omissão de informações. Como se eu tivesse sido a primeira pessoa a concluir isso... Pronto, tenho dois pilares, dieta e omissão de informações, agora falta o terceiro. Talvez algumas pessoas julguem esse como mentira, mas eu prefiro pensar em desculpa. Sim, preciso de algumas desculpas para poder evitar a bebida. Pode ser algo extravagante como alcoólatra em recuperação ou simples como estou tomando um remédio. Mas remédio pra quê? Um psicotrópico certamente justifica não poder beber, porém apresenta grandes chances de quebrar o clima. Também não pode ser nada contagioso nem nada extremamente desagradável como furúnculos ou incontinências de qualquer natureza...

Me baseando nos três pilares acima, ontem, consegui manter, e muito bem, minha dieta. O prato foi salada, mas não qualquer salada. Misturei várias folhas com pedaços de peixes defumados, queijos magros, lulas e camarões, todos muito bem temperados mas sem uma gota de óleo no preparo. Para o molho, reduzi um pouco de vinagre balsâmico e misturei com ervas, temperos e um pouco de mostarda preta. Consegui certa cremosidade, mas não era suficiente. Então, apelei para a gelatina. Bem pouco, mesmo, apenas para que o molho ficasse com consistência de alguma coisa cheia de azeite. Funcionou. Ficou bem melhor do que imaginava e ainda me rendeu uma série de elogios. Por fim, para fugir da bebida, disse que hoje era dia de doar sangue. Sempre quis fazer isso mesmo. E adivinhem só, ganhei companhia!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A caminhada.

Hoje tive uma manhã saudável. Sai antes das 8 de casa com planos de caminhar no parque. Nunca tinha andado até lá, mas descobri que o caminho casa/parque é muito mais longo do que parecia. Demorei mais de uma hora até cruzar os portões de entrada e iniciar minha caminhada no meio do verde. Admito que não andei muito já que a volta para casa seria longa também e era necessário que eu guardasse alguma energia para essa etapa. Agora percebo que, no final das contas, acabei fazendo uma caminhada na rua.

Mas uma vez que tinha chegado lá, não desistiria dos meus planos. Sentei num gramado e peguei minha mochila, na qual repousava cuidadosamente, meu lanchinho. Porém, mal puxei metade do zíper e pude ver que alguma coisa estava errada. A mochila estava toda molhada por dentro. Será que a garrafa térmica transpirou tudo isso? Ou será que ela... não, não era possível. Tinha verificado várias vezes antes de sair se ela estava vedada e... Não adiantava me enganar mais, o chá verde tinha vazado e estava espalhado por todos os outros itens do meu kit caminhada.

Essas coisas meio que quebram o clima. Até comi os legumes cortadinhos ao molho de chá verde coado em camiseta limpa e tentei comer meu sanduíche de pepinos com mostarda mas meu embrulho não foi bem feito e os danos que meu pobre pedacinho de pão sofreu foram irrecuperáveis. Tive que deixá-lo partir. Mas não tava com paciência pra continuar com aquilo de modo que tomei o caminho de volta. No final das contas tirando os semáforos, os carros, a poluição, os espertinhos que não respeitam a faixa de pedestres e as calçadas destruídas, até que é bem legal andar no parque.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Estou de recesso?

Foi estranho acordar numa segunda-feira e não ter nada pra fazer. Enquanto tomava meu café, hoje sem creme, comecei a traçar os planos para o dia. Talvez uma caminhada, quem sabe até o Ibirapuera, com um bom livro na mochila. Podia até fazer um picnic no parque, levar uma garrafa térmica com meu chá verde e alguns legumes cortadinhos. Ou até mesmo algumas frutas. Depois, usufruir de minha mais nova panela à vapor. Um almoço bom, leve e, se tudo der certo, saboroso, acompanhado de uma bela soneca de sobremesa. E depois, poderia escolher qualquer coisa para não fazer.

Estava tudo decidido, um dia sem conexão com o mundo exterior. Pelo menos com o mundo exterior formado pelas pessoas conhecidas. Talvez fosse uma boa até desligar o celular. Mas não consegui encontrar o aparelho antes que ele começasse a tocar. Algo me dizia para não atender a ligação, que vinha de um “número desconhecido”, mas enfiei na cabeça que era apenas alguém desejando feliz natal atrasado e que o assunto seria resolvido em poucos instantes. Se o natal é a celebração do nascimento de uma divindade, coisas desse tipo não deveriam acontecer. Mas acontecem. Quem estava do outro lado da linha era o diabo. Tá certo que, aqui, o nosso amigo capeta é mais conhecido como chefinha, mas não dá pra diferenciar os dois. Chefinha é aquela que levou uma espetada do tridente mas acha que pode sair por ai espetando todo mundo. Enfim, um dos projetos deu problema bem na parte que só eu sei resolver por lá. O detalhe é que essa parte poderia e devia ter sido feita há um mês atrás, mas ele nunca passou por minhas mãos. Saí de casa, mas peguei o caminho oposto ao parque; subi a ladeira para a Paulista. Meu humor não estava nas melhores condições e só piorou durante a meia hora que fiquei esperando aparecer alguém no escritório. Apareceu a chefinha.

Ela mal me viu e começou a falar sobre o problema do trabalho, num ritmo de 250 palavras por minuto, sem demonstrar nenhum interesse em pedir desculpas por estragar o meu recesso. Ao invés de prestar atenção no que dizia, analisei seu corpo. É, parece que o natal foi farto para ela. Ou a camisa que usa quase todos os dias tinha encolhido ou era muito peru que estava empurrando aqueles botões. Eu não ia comentar nada, é claro, mas teve alguém que fez isso por mim. Mal tínhamos entrado quando a porta do elevador tornou a abrir e a chefona saltou de lá de dentro. Sua expressão mostrava que também não estava nem um pouco feliz por trabalhar hoje, mas uma mulher de classe como ela arranja tempo para cordialidade mesmo nas piores situações. Me agradeceu por estar lá e reconheceu que os problemas no projeto não tinham acontecido por minha culpa. Pouco depois, enquanto tomávamos um café feito por mim, a chefona voltou a se manifestar e me disse que há algum tempo percebia que eu estava perdendo peso, mas não entendia como era possível que eu tivesse perdido tanto peso durante o natal. Respondi, com um sorriso de ponta à ponta, que também não sabia, já que tinha comido à vontade durante as festas. A chefinha não conteve um grunhido.

Manhã perdida. Porém, muito bem vingada.

Olha o que eu ganhei! divido com vocês.

domingo, 26 de dezembro de 2010

De volta para a rotina.

Lá se foram minhas 24 horas sem dieta. O melhor presente de natal que podia ter me dado. Desde ontem, no final da tarde, já entrei na linha de novo e, curiosamente, tá parecendo bem mais fácil me comportar direitinho agora!

Aproveitei bastante as refeições que me foram oferecidas nesse natal. Comi muito bem e, dia 24, meu estomago até pediu arrego depois da ceia. Meu prato foi normal e não repeti porque não aguentei. Dia 25, acabei fazendo um prato menor, naturalmente, e senti que comi tudo o que devia ter comido. Mas o melhor desse dia não foram as refeições em si. Foi aquilo que deu pra comer entre as refeições. Por exemplo, pude colocar, em minha caneca de café matinal, uma gota de creme, coisa que adoro mas, desde o primeiro dia de dieta, não fazia. Inclusive, tenho uma garrafa de creme quase nova sobrando aqui. Preciso dar um jeito de me livrar dela. Também é muito bom poder entrar na cozinha e roubar umas castanhas fora de hora, ou comer uma torradinha com patê junto com uma taça de vinho. Enfim, me diverti pacas!

Ah, ganhei um presente de natal também. Uma panela a vapor! Logo no começo do blog eu até contei que tinha ido atrás de uma dessas mas tinha achado muito caro e tal (post máquina (quase) à vapor). Bom, comentei isso com minha tia e aparentemente ela guardou na memória! Agora tenho um bom uso para meu livrinho de receitas de vapor. A coisa chata disso tudo é que é claro que eu já me queimei usando a panela nova... Não sabia que o vapor ia sair tão forte assim e, quando a água ferveu, puxei a tampa e coloquei a cara pra ver o que tinha acontecido. A mão que segurava a tampa queimou mesmo. Ou melhor, cozinhou mesmo. O rosto, só ficou quente e com a pele vermelha por um tempo, mas não tá doendo e já voltou ao normal.

Bom, foi isso. Espera aí, to esquecendo do mais importante! Quinta feira eu não me pesei. Pois bem, fiz isso hoje de manhã. Achei que o dia do natal ia compensar a semana perfeita de antes dele e que meu peso seria o mesmo da última pesagem. Me enganei. Perdi 1,5 quilos nesses 10 dias! Transformando em uma semana, dá 1,1 quilos o que é acima da minha meta! Moral da história, um único dia fora da dieta realmente não faz diferença alguma! Estou com 77,1! Tão perto da minha meta final que até já acho que vou conseguir!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Férias da dieta!

Acabei de fazer minha última refeição antes do natal. Não foi bem uma refeição pra falar a verdade. Foi uma barrinha de cereais. De banana. Comprei errado, gosto mais da de castanha do Pará, apesar dela, normalmente, ficar toda molenga. De qualquer forma, minha consciência está limpa. Segui perfeitamente bem a dieta nos últimos quatro dias e meio. Tive algumas vontades desproporcionais, como no dia em que, sob o sol forte do meio dia, vi um freezer de picolés, ou quando uma colega do trabalho me ofereceu uma mordida de seu sanduíche de pernil. Mas resisti e, principalmente, sobrevivi. E é isso que importa.

Agora estou saíndo para casa dos meus pais, onde vai acontecer a festa toda. Durante as próximas 24 horas não estarei de dieta. Isso é meio estranho. Acabei me acostumando com a vigilância constante do que entra em minha boca e se dirige para meu estômago. Mas, também, não tenho a intenção de comer a ponto de sair rolando por aí. Quero comer bem, comer de tudo, beber um pouco de vinho mas não quero pôr tudo a perder. Por tudo a perder, me refiro ao prazer da refeição, uma vez que, depois de tanto tempo comendo porções reduzidas não duvido nada que, se exagerar, vou acabar é passando mal. Nesta noite não quero ter que tirar uma soneca pra conseguir comer a sobremesa. Quero que a saciedade chegue logo depois da última garfada de pavê. E que o copo d’água no final da noite seja para fechar em grande estilo, e não pra ajudar a comida que ficou entalada descer!

Bom, vou indo antes que me atrase e tome bronca. Feliz natal pra todo mundo. Desejo a todos que estão de dieta e participam desse universo dos blogs que, seja qual for sua escolha sobre o que comer e quanto comer hoje à noite, essa refeição seja a mais agradável do ano. E desejo um montão de presentes também. Pra vocês e pra mim!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Hoje, não me pesei.

Hoje é quinta feira, dia de pesagem. Porém, decidi que o melhor a fazer era não subir na balança. Desde de segunda feira minha dieta tem sido impecável. Resisti a tudo e olha que não foi nem um pouco fácil. Isso, se as leias da física estiverem corretas, implica um bom resultado para a semana. Mas amanhã, como todos sabem, é natal, dia da ceia. Meu presente, de acordo com o desafio que propus, são 24 horas de quebra de dieta, enquanto durar as comemorações natalinas. Portanto, acho que o melhor a fazer é me pesar apenas dia 26. E é o que vou fazer. Um peso compensa outro. Vamos colocar a salada e o perú no mesmo barco.

Mas, mesmo sem enfrentar a tal da balança, recebi uma boa notícia sobre meu peso hoje. Curiosamente, desde que minha dieta começou, ninguém falou nada, ou reparou, ou me elogiou por mudanças na estrutura física do meu corpo. Quando voltava do almoço, porém, isso mudou. A Carla e a Marcela me encontraram no hall do prédio, vulgo catraca, e subiram comigo no elevador. Quando a caixa de aço suspensa parou no andar correto e sua porta se abriu, uma delas me disse que minha aparência estava completamente diferente, ou seja, que eu estava menor. A outra, completou perguntando qual era minha dieta, demonstrando claro desejo de seguí-la. Neguei que estivesse de dieta. Tirei mais uma desculpa da minha caixinha de desculpas e disse que estava sem carro esses tempos e minhas caminhadas para o trabalho, e do trabalho para casa, eram as responsáveis pelo peso menor. Mas não posso negar que fiquei muito contente com o elogio.

Talvez seja bobeira esse negócio de não falar pra ninguém que estou de dieta, mas sinto que esse é um assunto meu, apenas meu. De vocês, que lêem meu blog também, é claro, mas, no cotidiano, encaro isso como algo pessoal. Não sei, sinto que, quando perguntam se estou de dieta, é mais ou menos a mesma coisa que se perguntassem se estou usando roupa íntima. Talvez seja um erro pensar assim, mas fazer o que? Tá funcionando!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Mais um dia de natação.


Imaginem a seguinte cena. O mar está agitado, as ondas estão invadindo a praia com violência. Os banhistas começam a pegar seus isopores e a se afastar enquanto uma nuvem cinza gigantesca encobre o céu. No meio do oceano, quase em mar aberto, é possível ver uma cabecinha e um par de braços se debatendo, lutando para sobreviver. Os salva-vidas, em sua atitude sempre heróica, se atiram na água e começam a nadar em direção à pessoa que se afoga. Pelo sul, se aproxima com velocidade um objeto estranho. Conforme chega mais perto, é possível identificar uma barbatana para fora d’água. Nossos heróis apertam o ritmo das braçadas enquanto o número de barbatanas se multiplica. Mas, depois de muita luta e apreensão, os banhistas podem respirar aliviados na areia, quando os salva-vidas voltam com o corpo desacordado, porém vivo da vítima. E com o corpo completo, sem nenhuma parte faltando. Pelo menos, nenhuma parte importante.

Pois é, foi o que aconteceu comigo hoje de manhã. Eu era a vítima. Ta bom, não era. E não foi bem isso o que aconteceu. Fui nadar, bem cedo, pra pegar a piscina vazia. Depois da luta pra encarar a temperatura da água, comecei a fazer meu alongamento, com o auxílio da escadinha. Bem no meio da minha atividade, ou seja, já tinha ido a perna esquerda, faltava a direita, pude ver uma movimentação estranha dos sujeitos vestidos de vermelho do outro lado da piscina. Fiz que não era comigo, mas instantes depois, um deles saiu em disparada, deu a volta, se aproximou de mim e perguntou: tá tudo bem? Nossa, imagino até que sua intenção era das melhores, mas será que eu estou tão mal assim? Quer dizer, estava apenas me alongando e nunca imaginei que minha coordenação motora fosse tão falha a ponto de alguém confundir alongamento com afogamento.

Se bem que até entendo o ponto de vista dele. Tinha acabado de entrar no trabalho, ainda devia estar com sono e, de repente, vê, ao longe, uma bóia sinalizadora para barcos afundando. Mas daí ele pensa, espera um pouco, não tem bóia sinalizadora para barcos em uma piscina. Que diabos é aquele troço boiando, engastalhado na escadinha lá? Chama os colegas e faz uma conferencia. Depois de muita discussão sobre a natureza do ser, se é uma pessoa ou um barril de petróleo que veio pela tubulação, chegam a conclusão de que é um ser humano. Ora, ser humano algum se comporta daquela maneira bizarra dentro da água. Uma foca, talvez, um peixe boi, provável, mas uma pessoa, não. Portanto, ela deve estar em perigo e é melhor eu ir lá ajudar.

Não posso argumentar contra a lógica dos salva-vidas. Depois desse pequeno incidente, porém, tive uma agradável surpresa. Em meia hora, consegui nadar 500 metros! Acho. Me embananei com as contas em alguns momentos. Mas como tudo o que é bom dura pouco, logo em seguida, descobri que não sei boiar. Digo, sei boiar, mas só por um tempinho. Meu corpo vai naturalmente ficando na vertical. Droga. Pelo menos continua tudo em cima para meu natal sem peso.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Mas que hora pra chover!

Poucos instantes antes de começar a chover, hoje à tarde, percebi que, com a correria dos exames pela manhã, tinha me esquecido de trazer um lanchinho. Saí pelo escritório caçando comida, mas não tinha absolutamente nada. Quer dizer, umas quatro ou cinco pessoas me ofereceram balas ou chicletes ou até mesmo um chocolate. Infelizmente, isso não é lanchinho. Então percebi que minha única solução seria dar um pulo na vendinha aqui na frente, que na verdade é uma tentadora e maldita loja de doces por atacado e comprar alguma coisa. Foi o que fiz. Saí, atravessei a rua, comprei um pacote de bolacha água e sal e, quando ia voltar, começou a chover. Estava muito perto, mas não tinha a menor condições de chegar do outro lado da rua sem tomar um banho.

Voltei para o interior da loja, esperando a chuva passar, mas me deparei com um problemão. Não ia dar pra ficar lá dentro. Tinha muito doce, sorvete, panetone e gente comendo. Não ia resistir à tentação. Moral da história, resolvi postar agora porque passei os últimos tempos no banheiro, tentando secar minhas roupas, meu corpo e meu cabelo com papel toalha. Mas que dia viu! Que seja bem vindo o verão...

Dia de exame.

Há algum tempo atrás, fui ao médico, coisa que não fazia há bastante tempo. A doutora, como era de se esperar, me pediu um montão de exames. O problema é que eu considero a viagem até o laboratório uma tarefa que beira o insuportável e acabei adiando ao máximo. Mas essa neura de resolver as pendências até o final do ano, que toma conta das pessoas nessa época, também me pegou de jeito e achei que era melhor riscar esses testes laboratoriais da minha listinha de pendências. Hoje, tirei a manhã para fazer os tais exames. Passava pouco das nove horas quando minha presença deslocou as portas automáticas para o lado e pude sentir o ar condicionado e o cheiro característico que tomavam conta do ambiente. Odeio esse cheiro, tenho a impressão de que deixam de propósito para passar uma sensação de limpeza, mas acaba provocando aquela sensação de que estão escondendo alguma coisa. Sabe? Um cheiro bem forte pra disfarçar outro pior ainda?

Peguei o papelzinho com minha senha quando a maquininha o cuspiu e até que consegui encontrar uma cadeira com facilidade em meio à multidão. Até o primeiro número ser chamado no painel, minha cabeça estava ocupada, tentando imaginar o que todas aquelas pessoas estariam fazendo alí no final de ano. Exame é que não era. Quem marcaria exames agora? Quer dizer, eu marquei, mas foi porque nunca imaginei que pegaria fila. Sim, todas as pessoas deveriam estar lá para pegar o resultado ou, dada a quantidade de velhinhas entretidas em conversas, papear com as amigas. Era isso. Só podia ser. Mas daí o painel chamou o próximo número e minha teoria foi por água a baixo. Ainda não podia dizer se o resto ia fazer exames ou qualquer outra coisa, mas podia afirmar com certeza que havia 35 pessoas na minha frente.

Pouco mais de uma hora depois, chegou minha tão aguardada vez. Até que o processo foi rápido, coisa de uns dez minutinhos. Preenchi uma ficha, conversei com a mocinha que me atendia, preenchi mais uma ficha, atualizei um cadastro e tudo certo para o exame. Quer dizer, ainda fui para uma outra sala, com outro papelzinho e outra senha, mas uma meia hora depois me encontrava numa cadeira confortável com meu braço direito apoiado num treco de metal concebido exatamente para segurar braços naquela situação. Porém, antes que qualquer agulha ou objeto metálico perfurar minha pele, a médica (ou sei lá quem tira o sangue) perguntou que horas tinha ocorrido minha última refeição e eu respondi: às 9 horas, da mesma forma que tinha respondido para a mocinha das fichas. Não gostei do olhar que recebi após minha resposta, e tive razão de não gostar. Aquela sugadora de sangue barata me disse que meu jejum tinha que ser de 12 à 14 horas, e como já passava das onze, não poderia fazer o exame. Quando ela disse a palavra jejum, devia ter percebido que a cagada era minha e mantido minha boca fechada mas, depois de toda aquela espera, acabei contestando a conta dela, já que eu me referias as 9 da manhã, hora do meu lanchinho, e não 9 da noite. Ela foi um pouco mais sarcástica do que o necessário para apontar minha falha no processo. Mas eu não deixei por isso mesmo. Contei que estava de dieta e que precisava comer de 3 em 3 horas. Me afundei mais. Acabei descobrindo que meu peso tem que estar estável para fazer o exame, ou seja, não posso ter perdido mais de dois quilos nos últimos tempos. Porcaria. Enfim, depois do vexame, o exame voltou para a listinha de pendências. To até pensando em colocar na listinha de promessas do ano novo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O encontro.

Outro dia, fui ler num café. Porém, após dar um ou dois goles na minha xícara, perdi totalmente a concentração. É que eu sofro do problema da pessoa da mesa do lado. É mais ou menos assim, quando tem gente bonita na mesa do lado, não consigo prestar atenção no que estou fazendo. E ao meu lado, sentou-se um belo sorriso tímido de lábios grossos, com olhos verdes, pele bem branca e cabelo bem preto. Não vem ao caso minha esbarrada proposital na mesa alheia para fazer a xícara de café recém posta derramar um pouco de seu conteúdo no pires, mas o importante é que um sorriso e um pedido de desculpas depois, estávamos engajados em uma ótima conversa que terminou com a troca de telefones.

Ontem, recebi uma ligação do número que anotei naquele dia e descobri que um jantar seria feito e que minha presença era requisitada. Tá certo que uma neurose em relação a dieta tem me controlado nesses últimos tempos, mas regime foi a última coisa que me passou pela cabeça quando aceitei o convite, ou quando parei pra comprar uma garrafa de chardonay ou quando dirigi até o endereço que tinha rabiscado numa folha de rascunho e procurado no Google maps.

Porém, a tal da neura da dieta atacou quando olhei para o pote de castanhas na mesa e para o copo de vodca martini, com a azeitona, que tinha recebido. O problema era: um jantar com um cardápio pra lá de engordativo. Espaguete carbonara, o que implica linguiça, bacon, creme... E sorvete para acabar. Não tinha muito como escapar porque a quantidade que comesse na ocasião certamente seria interpretada, por quem cozinhou, como um indicativo sobre se aprovei ou não de suas habilidades culinárias. Sempre poderia dizer que estava de dieta, mas além de ser um fato que não queria revelado, não acho que pegaria bem.

Mas acontece que estou adquirindo uma habilidade fantástica para essa coisa de regime. Assim que a comida chegou, assumi sua distribuição. Montei os dois pratos muito cheios, parecendo iguais, mas um com um pouco menos (mais empilhado para aumentar o volume). Peguei o menor pra mim e comecei a comer bem devagar. A conversa estava ótima e o vinho... Ninguém compra tão bem vinho barato bom como eu! Mas o truque foi: como os pratos estavam muito cheios, eu já sabia que nenhum dos dois comeria tudo. Como o meu tinha menos, a única coisa que precisei fazer foi igualar o tamanho da sobra! Jogada de mestre! E a sobremesa, de comum acordo, decidimos deixar pra depois de queimar as calorias recém ingeridas. Por sorte, não se falou mais em comida.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Mas o que que isso quer dizer?

Ontem tive um sonho. Ou foi um pesadelo, não sei muito bem. Estava numa casa meio rústica mas bem conservada, com um pé direito bem alto e janelas grandes. Acho que a vista era para um lago, mas estava escuro do lado de fora e não dava pra saber com certeza. Voltando ao lado de dentro, uma mesa pesada de madeira escura, sem toalha, ocupava boa parte do salão em que me encontrava. Meu traseiro habitava uma cadeira, também de madeira, e minhas mãos estavam ocupadas com um garfo e uma faca. A conversa ia muito bem, com os outros convidados que meu subconsciente trouxera para o jantar, e minhas pupilas gustativas iam a loucura toda vez que um pedaço daquele bife com cinco centímetros de altura e molho de mostarda, ou aquelas batatas fritas eram mastigadas com vigor pelas minhas mandíbulas.

No momento em que alguém falava da sobremesa, acordei. Ainda não eram cinco da manhã, mas nunca cheguei a dormir de novo. Meio que me atordoei. Afinal de contas, tinha sido um sonho ótimo, daqueles em que tudo dá certo e você acorda feliz. Por outro lado, porém, tinha sido um sonho com comida gostosa e engordativa e isso, definitivamente, não era um bom sinal. Com o corpo em processo de acordar, fiquei em dúvida se tinha realmente comido tudo aquilo ou se tinha apenas imaginado durante o sono. Deu uma certa agonia e levou uns dez minutos até que eu repassasse, com muita dificuldade, todo o meu sábado, e me certificasse de que não tinha saído da linha. Até agora ainda não consegui chegar a uma conclusão. Foi um sonho ou um pesadelo?

Bom, o que sei é que estou com uma fome maior do que a normal. Mas também, passei a manhã inteira cozinhando. É que, como a partir de amanhã até o natal, vou seguir perfeitamente a dieta sem falhas, decidi que o melhor a fazer era deixar todas as minhas refeições prontas. Nada de chegar perto do fogão durante os próximos dias. Falando nisso, esvaziei totalmente a geladeira. Nela, agora, só estão as porções de minhas refeições, embaladas individualmente, e minhas garrafas de água gelada. Bom, é isso. Vamos ver com o que vou sonhar essa noite. Mas, a final, será que pesadelo engorda mais do que sonho? 

sábado, 18 de dezembro de 2010

Será que meu coração aguenta?

Ontem a noite estava refletindo sobre minha dieta e achei que, talvez, a prática de um esporte pudesse ajudar meu processo. Assim, uma atividade leve, sem pretensões de virar atleta ou de ganhar uma medalha olímpica nem nada. Mas daí, incorri na seguinte questão. Qual esporte escolher? Pra falar a verdade, não gosto muito de nenhum. Quer dizer, gosto de alguns, como poker ou sinuca, mas esses não são uma boa ideia já que são sempre acompanhados de cerveja. Caminhar podia até ser uma boa, mas não sei, queria uma coisa diferente. Enfim, lá estava eu, pensando em todas as modalidades esportivas, quando me lembrei que gosto de água e que poderia muito bem começar a nadar. O único problema desse esporte era acabar sucumbindo às tentações da beira da piscina, ou seja, ao chopp e ao pastel. Então, desenhei meu plano. Ir nadar bem cedo, quando não tivesse ninguém. Plano perfeito. Não apenas a piscina estaria vazia e o bar, se bobear, nem estaria aberto.

E foi assim. Hoje acordei bem cedo, procurei os velhos óculos de natação que tinha aqui em casa, vesti meu traje de banho e toquei para a piscina. A água estava bem gelada, mas depois de um abraço de uns quinze minutos com a escadinha, soltei o peso e fui. Primeiro bom sinal: a água continuou lá. Sim, tinha espaço pra nós dois. Me mexi um pouco para esquentar, me alonguei, coloquei os óculos e fui, braçada após braçada, até o outro lado. Me surpreendi. Segundo bom sinal: cruzei os vinte metros que me separavam da outra borda sem problemas! É isso que se chama de atleta. Voltei, fui, voltei, fui, voltei. E aí veio uma parte meio vergonhosa. Primeiro péssimo sinal: 120 metros depois, cheguei na borda e um cansaço gigantesco tomou conta de mim. Sentia meu coração batendo com tanto vigor que realmente cheguei a achar que estava diante de suas últimas batidas. Saí da água e me larguei numa daquelas cadeiras de tomar sol. Demorou um tempão até reunir forças para voltar a andar. Acho que, se não acordar com um baita dor, amanhã vou tentar de novo. Vamos ver se consigo ir um pouco mais longe na segunda vez.

Mudando de assunto, estou me preparando psicologicamente e logisticamente para meus quatro dias e meio de dieta perfeita antes do natal. Vai ser difícil, mas tenho certeza de que vai valer a pena.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Almoço de fim de ano.

Agora foi o almoço coletivo de final de ano. Alguém bem que poderia perguntar como é que eu estou escrevendo às duas e meia da tarde, afinal de contas, não é plausível que uma festa que começou a uma já tenha acabado. Mas sim, já acabou. Quando cheguei no trabalho, descobri que o almoço coletivo seria feito por uma empresa e não era pra cada pessoa trazer uma coisa. Pois bem, eu trouxe. Só eu! Mas isso não vem ao caso agora. Lá pelo meio dia, fui pegar um café e dei de cara com o pessoal do buffet chegando. Não acreditei, era o mesmo buffet que tinha servido rondele na festa que me incumbiram de organizar há um tempo atrás. (post festança). Dado o resultado da experiência passada, mandei embora todas as esperanças de ter uma refeição agradável.

Estava voltando para minha mesa, sem nem falar com a mulher do buffet, quando quem aparece para recepcioná-los. Sim, ninguém mais ninguém menos do que a chefinha. Pra quem não sabe, chefinha é aquela que tem uma cereja, mas acha que é dona do bolo inteiro. Enfim, não acreditei. Como é que colocaram ela pra cuidar do almoço de final de ano? Tem certas coisas que acontecem e eu simplesmente não entendo. Mas aquilo não era problema meu. Voltei para minha mesa até que com uma certa disposição de dar uma segunda chance ao buffet. Quem sabe né?

Pois é, segunda chance coisa nenhuma. Deu uma da tarde e todo mundo começou a se dirigir, aos poucos, para a sala de estar do escritório, onde a comida estava servida. Ainda não tinha entrado na sala, muito menos visto a mesa, quando ouvi a voz esganiçada da chefinha, anunciando a todos, que, como ela estava de dieta, encomendou um almoço light e que seria bom pra todo mundo ter uma refeição saudável. Dei uma espiada nas pessoas em volta. Nenhum dos rostos parecia muito animado com a noticia. Pois bem, eu estava. Meu problema estava resolvido! Não que ache certo alguém tentar impor aos outros o que eles devem comer, muito pelo contrário, acho essa atitude condenável. Mas, dada minha situação, um almoço de regime viria mais do que a calhar. Cheguei à mesa e vi. Basicamente, saladas, legumes assados e peito de frango. Parecia comida de um quilo ruim, somado ao impacto do transporte que dava a tudo um aspecto de amassado. Para beber, chá gelado diet. Só isso. Ah, e não tinha sobremesa.

Meus olhos correram pela sala mais uma vez. Não tinham sorrisos. Quer dizer, algumas das puxa-sacos da chefinha davam risadinhas, mas tirando sua patota, basicamente tínhamos caras amarradas. A chefona, que sei que é um bom garfo, apenas balançava a cabeça vagarosamente de um lado para o outro. Talvez não devesse me meter, mas achei que aquela situação pedia alguma atitude e, discretamente, coloquei, num cantinho da mesa, a manteiga composta e os pãezinhos que trouxera. Bem, dada a concorrência, a manteiga fez um baita dum sucesso. O seu Antônio, velinho da contabilidade, veio até perguntar se eu não podia fazer um pouco pra ele, no natal. Aparentemente, ele não se lembra, mas a esposa o convenceu de que ele tinha prometido cozinhar alguma coisa para a ceia e ele achou que a patroa poderia muito bem acreditar que ele tinha feito aquela manteiga. Vou ganhar 20 pratas! Voltando ao almoço, o escritório tá vazio agora. Um bocado de gente saiu dizendo que ia comer sobremesa na rua, mas acho que simplesmente transferiram a festa para um restaurante. Mais tarde eu descubro.

Leiam seus e-mail coletivos.

Vocês costumam ler os e-mail coletivos? Sabe, aqueles que mandam e o escritório inteiro recebe? Pois é, eu quase nunca leio os que recebo porque os assuntos nunca tem a ver comigo. No começo dessa semana, recebi um desses e-mails com o seguinte assunto: almoço coletivo de final de ano sexta. Achei que essa era toda a informação que necessitava e, como dito, me preparei para fazer alguma coisa para o tal do almoço coletivo.

Porém, quando cheguei no trabalho e entrei em minha sala, que é minha e de praticamente todo mundo que entra lá, percebi que ninguém carregava nada de anormal, ou seja, nenhuma embalagem que pudesse conter comida. Fui olhar o e-mail que anunciava o almoço e descobri que devia ter lido ele. Lá dizia que um lugar tinha sido contratado e faria o almoço para todo mundo. Dá pra acreditar? E eu brincando com manteiga a noite toda. Enfim, daqui a pouco começa e mais tarde venho contar pra vocês como foi.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cozinhando para a festa.

Cozinhar cansa. Bastante. Tanto que estava cozinhando e me cansei. Vim aqui sentar um pouco e ver se meus braços que picaram salsinha freneticamente na última meia hora conseguem se recuperar. Daí, uma vez na frente do computador, com minha caneca de café na mão, nada mais natural do que postar.

Então, como disse hoje mais cedo, amanhã é o almoço coletivo de final de ano no escritório. Algumas pessoas sugeriram que eu levasse uma coisa pronta e até gostei da sugestão, mas uma tempestade me surpreendeu no caminho do volta para casa e roupas encharcadas no supermercado não ajudam a criatividade. Queria ir embora logo e peguei apenas alguns ingredientes simples para fazer manteiga composta. Não vou dar a receita porque não quero ter responsabilidade em nenhuma possível quebra de dieta por ai, mas essa manteiga fica uma pastinha, super simples e barata, apesar de trabalhosa, e ninguém nunca adivinha que é manteiga. Sempre dá certo.

Tive uma certa preocupação sobre qual seria minha reação ao manipular 800 gramas de manteiga, mas está sendo mais fácil do que pensei. Foi só lembrar que os quatro tabletes foi o que eu perdi de peso essa semana e pronto, não estou com vontade e nem vou provar. Espero que não esqueça de colocar nada nem erre a proporção, se não, vai ser um papelão. Mas é curioso, estava apertando toda aquela manteigada e senti um desconforto. Como se, apenas por tocar, pudesse engordar. Sabe, ganhar peso por osmose? Que horror...

Ah! Já ia me esquecendo de contar. Estava comendo meu sanduíche de pão integral recheado com pepino e mostarda na hora do lanche e adivinhem só quem veio reclamar? A chefinha. Pra quem não sabe, chefinha é aquela que comprou uma passagem mas acha que pode, e deve, pilotar o avião. Então, ela virou pra mim, com a falta de educação habitual, e perguntou se eu não podia ir comer em outro lugar, porque ver pessoas comendo atrapalha a dieta dela. Não acreditei. Nunca reclamei dela comendo e ela come de boca aberta. Ela masca chicletes na cadeira dela, que é a uns 5 metros da minha e eu posso ouvir cada mastigada. Terrível. Simplesmente ignorei o que ela me pediu. Tá bom, mentira. Respondi, educadamente, que ela não precisava se preocupar porque, em consideração ao regime dela, eu não lhe daria nenhum pedaço do meu lanchinho e, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, tirei o fone do gancho e comecei a discar um numero qualquer. Essa chefinha me tira do sério. Me fazendo passar trotes no meio do expediente.

É, dessa vez não deu.

Hoje é quinta-feira, o que significa dia de pesagem. Infelizmente, quando subi na balança, tive uma surpresa um tanto quanto desagradável. Não consegui atingir minha meta da semana. Tá certo que o resultado não é desesperador, mas perdi menos de um quilo. Foram 800 gramas, o que não é de se reclamar mas... Me sinto mais ou menos como me sentiria se fosse ao supermercado comprar um quilo de bistecas, pelo preço habitual, e descobrisse, depois de chegar em casa, que o pacote foi reduzido em 20%.

Se bem que, essa semana, tive um pequeno.... vamos chamar de um pequeno mal entendido com um pote de sorvete de morango. É, deve ter sido isso. Droga. Se bem que pode ter sido outra coisa. Meu café da manhã de hoje não foi dos melhores. Quer dizer, foi muito bom, mas não muito dietético. Não sei o que me deu, mas decidi que faria um ovo mexido. Um ovo, na frigideira antiaderente, sem gordura, ia estar dentro de minhas posses calóricas. Mas, por acaso, acabei colocando um pouco de queijo pra derreter junto com ele. Curiosamente, uma fatia de presunto picado apareceu na panelinha de um ovo só. E duas salsichas meio que se auto cozinharam, força divina, acho. Depois de tudo aquilo, tive que fazer uma torrada. Comi e fui pra balança. Autopunição. Péssima idéia. Pois é. Agora é segurar, voltar pra linha e me preparar para a semana de dieta perfeita antes do natal.

Ps: amanhã tem almoço coletivo no trabalho e tenho que cozinhar alguma coisa pra levar. Não quero nem ver como vou conseguir me conter hoje à noite, fazendo comida gostosa.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Como se livrar de seus chocolates.

Não sei se lembram mas, há alguns dias atrás, a minha chefinha resolveu entrar numa dieta. Pra quem não sabe, chefinha é aquela que segura a coleira mas acha que manda no canil. Pois bem, muito me aborreceu sua atitude de querer que o mundo ao seu redor parasse só porque ela começou a fazer regime. Principalmente, porque eu não contei sobre a minha dieta pra ninguém lá no escritório e segurei a barra por mais de um mês sem encher os sacos alheios. Pra completar, ela e eu tivemos um pequeno desentendimento logo no primeiro dia de sua nova empreitada que terminou com uma entalada não muito agradável pra ela. Eu decidi levar aquilo tudo na esportiva, mas, pelo jeito, ela não. Digo isso porque suas atitudes comigo tem sido bem frias e mal educadas desde então. Não que algum dia ela tenha me tratado excepcionalmente bem ou até mesmo com dignidade, mas não rosnava toda vez que eu me aproximava.

Enfim, hoje, quando cheguei ao escritório, o seu João, zelador do prédio, me recebeu com um saquinho de mini chocolates. Dada minha história com ele, meio que não deu pra recusar. Ele gosta de mim porque, uma vez, deu um rolo qualquer lá no prédio e acusaram ele de estar dormindo no lugar de impedir que o problema acontecesse e eu, que estava passando e ouvi por acaso a confusão, fui defendê-lo perante o síndico, dando meu inventado na hora testemunho de que ele estava acordado durante o ocorrido. Um tempo depois ele até que admitiu que estava mesmo tirando uma soneca, mas não me arrependo da minha atitude. Não gosto de síndico, chefe ou até mesmo chefinha que late pra cima de seus subordinados, como se fosse o dono deles.

Voltando ao assunto, subi para o escritório tentando descobrir alguma forma de me livrar dos chocolates. Até poderia jogar fora, mas não acho que seria uma atitude digna dado que eram um agradecimento simbólico por uma atitude heróica! Quando entrei pela porta principal, segurava o pacote aberto em minhas mãos, mas não tinha a intenção de comer seu conteúdo. Tinha decidido que o melhor a fazer era dividí-lo entre os meus colegas. Entrei em minha sala, que é minha e de 95% da torcida do flamengo, e fiz o que fiz. Ainda não sei se foi a melhor atitude que podia ter tomado, mas tinha que me livrar daqueles chocolates, tinha que pensar rápido. Foi instantâneo. Assim que os olhares notaram minha presença no ressinto, passei a mão na barriga e disse “nossa, não aguento mais comer chocolate, se alguém quiser me ajudar, sinta-se à vontade” e larguei o pacote aberto, porém intacto em cima de uma mesa. Coloquei a lerdeza do pc pra funcionar e, enquanto ele ligava, fui fazer o café. Estava com um certo medo de ninguém dar cabo do pacote porque era de manhã e todos estavam com mais cara de sono do que de fome. Porém, quando voltei, as mãos da chefinha esmagavam o bolo de embalagens vazias e seu olhar me fuzilava furiosamente. Me livrei dos chocolates mas, pelo jeito, ganhei um quilo e meio de trabalho extra.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Desafio 24 horas sem peso!



Sim. Estou desafiando todo mundo a participar do desafio 24 horas sem peso!

A idéia é todos nós, que estamos de dieta ou nos preocupamos com o peso, nos darmos de presente de natal 24 horas sem dieta, englobando a ceia do dia 24 e o almoço do dia 25. Porém, para que esse presente faça sentido, temos que estar bem na dieta pra poder dar uma escapadinha. Então, o desafio aqui lançado é passar os quatro dias e meio que antecedem o natal em uma dieta impecável. Não importa qual é a sua dieta, o importante é que cumpra todas as suas metas diárias entre os dias 20 e 24 de dezembro.

Dessa forma, poderemos passar um fim de ano sem peso, nem na balança, nem na consciência. Aqueles que não quiserem sair da linha no natal, também estão convidados a participar, já que 5 dias perfeitos de dieta não podem fazer nada além de bem!

Então, é isso. Entrem na página do desafio e se inscrevam!!

Para entrar na página no desafio, clique aqui.

Está decidido. Vou fazer.

Estava refletindo sobre os acontecimentos de ontem. Afinal de contas, não dá pra colocar pra dentro meio pote de sorvete e não parar pra pensar no assunto. Minha primeira vontade foi de ficar alguns dias sem comer. Sabe, compensar todas as calorias extras que foram ingeridas. Mas, pensando bem, essa ideia não ia dar muito certo. Ia acabar morrendo de fome. Ou, caso decidisse escapar da morte, quando fosse comer, provavelmente comeria o mundo inteiro e a situação ficaria ainda pior. Então, minha conclusão é a seguinte: o que passou, passou. A cagada está feita e é mais fácil apenas ligar o ventilador do que tentar corrigir, já que o resultado seria o mesmo. A solução para o problema, continuar com a dieta firme e forte. Minha distribuição diária de calorias é rigorosa e não acho que apertar mais vai fazer com que eu me sinta melhor. Ou emagreça mais depressa.

Pensando em tudo isso, resolvi realmente fazer o desafio de natal. Quatro dias e meio de dieta perfeita. Não preciso inventar novas metas, basta seguir as minhas. Sim, o certo seria segui-las perfeitamente todos os dias, mas sabemos que a coisa não é tão simples como parece. Também queria convidar todo mundo que quiser para participar. Quando comecei o blog, minha ideia era apenas manter registro da minha dieta, nem sabia que existiam tantos outros blogs com o mesmo tema. Mas tive uma agradável surpresa quando descobri o apoio e a ajuda que recebo por aqui. Por isso, gostaria que as pessoas participassem. Certamente é muito mais fácil fazer junto, com acompanhamento mutuo.

Bom, é isso. Hoje a tarde volto para publicar o desafio.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Não recebo mais visitas.

Ontem, fim de tarde, com o calor insuportável típico da época do ano e de país tropical e bode de domingo, tava tirando uma soneca no sofá quando o telefone tocou. Quinze minutos depois, a campainha tocou. Sim, era a pessoa do telefone e sim, estava recebendo uma visita. Podia ser ótimo isso, caso não tivesse reparado no que reparei assim que a convidada cruzou a porta. Ela segurava um saco de supermercado, todo molhado, grudado em, nada mais, nada menos do que um pote de sorvete.

Ok, nada de pânico. É só um sorvete, não morde, não queima, não mata e, na quantidade certa, não engorda. Porém, veio um pouco de pânico, porque em todas as minhas colheres de café, cabe mais do que a quantidade certa. Ia inventar uma desculpa, como uma dor de garganta, um resfriado ou uma unha encravada, qualquer coisa, mas acabei desistindo. Afinal de contas, já era quase seis da tarde, o que significa hora do lanchinho. Talvez fosse um pouco mais do que as minhas 100 calorias permitidas, mas tinha ido tão bem na dieta durante o dia, porque não? Apenas uma vez. Era um belo sorvete de morango e servi dois potes, um com bastante, para a visita, e um com bem pouquinho para mim.

Foi só isso. Conversamos um pouco e ela foi embora. Demorei um pouco para explicar porque a geladeira estava virada para a parede (post anterior), mas ela acabou engolindo que essa era a única forma de seu fio chegar até a tomada. Fiquei com um certo embaraço de contar a verdade. Porém, ela não levou tudo o que trouxe. Pois é, adivinhem só o que sobrou no meu congelador? Isso mesmo, um pote de sorvete quase cheio. Demorei uns 40 minutos depois de sua partida para me lembrar do fato, mas, depois que lembrei, não consegui mais esquecer. Aquilo começou como um leve incomodo, mas acabou como uma obsessão. Não consegui fazer nada, a não ser pensar em sorvete. Perdi a cabeça e fui até a cozinha. Abri a porta do congelador e... sim, dessa vez não deu pra segurar. Foi direto do pote mesmo. Cena horrorosa de se assistir. Ainda bem que ninguém viu. Sei lá, não comi o pote inteiro. Fiquei com raiva no meio e acabei jogando fora. E não é que o desgraçado não queria ir! Taquei com tanta força no lixo, que ele bateu e voltou. Taquei com mais força ainda. Daí ele ficou lá. Mas comi bastante e minha consciência tá que tá. E, o pior, é que tá com razão. Não, me engano, o pior, é que eu nem gosto de sorvete de morango.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Minha amada geladeira.


Agora pouco, estava pensando em como é a geladeira das outras pessoas que estão de dieta. Não o eletrodoméstico em si, mas seu conteúdo. Sobre a minha, posso dizer que se afasta bastante daquilo que considero ideal ou até mesmo digno para um ser humano. Basicamente, tem salada, frutas, água e frango. Tá bom, é mentira. Tem queijo, alguns embutidos, tipo peito de peru e uma bandejinha de mortadela que acabei comprando sem querer (e cresce o nariz) outro dia, algumas latinhas de água tônica (diet) e algumas outras pequenas tentações. Bem pequenininhas, como um pote de doce de leite que está lá há meses ou uma garrafa de creme fresco que adoro colocar no café ou um joelho de porco defumado que simplesmente apareceu por lá. Enfim, coisas que ficam na geladeira.

Só que, há alguns dias, venho tendo esses impulsos de tentar comer alguma coisa fora de hora. Eles até que tinham dado uma diminuída, mas acabaram voltando, e com bastante força. Acabei sucumbindo um par de vezes, nada muito sério, mas que quebram a dieta e me impedem de deitar no fim do dia com aquela sensação de “e daí que você está com fome, pelo menos cumpriu seu dever!” Então, tomei uma decisão. Peguei tudo que não fosse salada ou água e coloquei bem no fundo. Daí, peguei alguns itens de armário, como pacotes fechados de bolacha e o pacote de pão e tudo o mais que vem em pacote e pronto para o consumo e também atochei lá no fundo. Mudando um pouco de assunto, minha vó tinha o costume de guardar pão na geladeira, coisa que sempre achei meio estranha, mas olha só eu fazendo igual... Enfim, com tudo que engorda ou que me tenta fora de hora lá no fundo, peguei os potes em que guardo a salada seca e os coloquei de guarda, à frente das prateleiras. Na porta, deixei só as garrafas de água gelada.

Para dificultar ainda mais meu acesso, virei a geladeira para a parede. Ainda consigo abrir a porta, mas, sem arrastar, só dá pra pegar as garrafas de água, nem os potes de salada não saem. Não que a dificuldade vai resolver o problema, mas é uma coisa psicológica, sabe? E pra completar a psicologia, peguei uma caneta de escrever em cd e desenhei na lateral que ficou no lugar da porta uma pessoa bem gorda, bem feia. Foi fácil porque desenho super mal. Só que acabou de me ocorrer uma coisa, acho que o esforço todo foi em vão. Quando chegar a hora do jantar, vai ser tão difícil pegar a comida que tem grandes chances de acabar é pedindo pizza.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Mas o que fazer com o natal?

Estava, mais uma vez, pensando nas festas de final de ano. Talvez seja essa a hora de admitir que estou com medo. Mais que isso, um pavor gigantesco de ter alguns dias praticamente incontroláveis para a dieta. Minha mente é frequentemente povoada por panetones, perús recheados, tenders com todos os seus cravinhos, castanhas assadas e várias outras perdições natalinas. E minha reação é sempre a mesma. Fujo do problema. Sim, sempre tento pensar em outra coisa. No começo, essa outra coisa era comida que eu podia comer, como salsão ou rabanete, mas, com o tempo, percebi que isso só atrapalhava. Então passei a apenas ignorar o problema com pensamentos de qualquer outra natureza, desde trabalho até programas de televisão, passando por temas como contas à pagar, juros à pagar e faturas de cartão à pagar. Essas últimas são infalíveis e trazem um alívio. Mas, um tempo depois, os flashes da ceia voltam e o medo do inevitável torna a atacar.

Agora há pouco, isso aconteceu de novo. Tentei fugir pensando em outras coisas. Pensei até em minha tia avó Meire e seu cheiro característico, mas não funcionou. Os pensamentos natalinos vieram para ficar. Mas, uma luz apareceu em meio minha reflexão sobre as gostosuras de final de ano. Cheguei a uma conclusão, mais ou menos assim: e daí? E daí que vou sair da dieta? É só um dia. Não é possível que apenas um dia faça tanta diferença assim num projeto de dois meses e meio. Um dia em dez semanas, 24 horas em setenta dias, em 100.800 minutos. Ou seja, estou me inclinando cada vez mais a quebrar a dieta entre o dia 24 e 25. Sabe, me dar um presente de natal.

Porém, isso tem um problema. Pra quebrar a dieta, tenho que estar de dieta.

Em vista disso, meu plano inicial é manter a dieta totalmente impecável do dia 20 ao dia 24. São menos de cinco dias. Quatro e meio. Daí, eu me dou de presente, o direito de quebrar a dieta por 24 horas, tempo suficiente para englobar a ceia do dia 24 e o almoço do dia 25. E o melhor disso, é que, se tudo correr bem nos cinco dias anteriores, vou poder aproveitar o natal sem peso na consciência. É como se fosse uma dieta dentro da dieta para poder quebrar a dieta! Plano infalível!

Me animei. Gostei da ideia. Inclusive, pergunto ao pessoal que entra aqui. Porque não nos damos um presente coletivo? Um natal sem peso na consciência!! Vi vários blogs que lançam desafios. To pensando em lançar um, pra que todo mundo puxe as rédeas um pouquinho antes do natal e possa aproveitar a festa como uma boa festa deve ser: farta e inesquecível. O que que vocês acham da ideia? Alguém se anima?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A dieta da hierarquia.

Minhas suspeitas se confirmaram. Como disse hoje de manhã, quando postei aqui, cheguei no escritório e percebi uma movimentação diferente do normal. Enquanto esperava o computador ligar, fui a micro cozinha preparar um café. Lá estava eu, me espremendo no pequeno espaço entre a pia e a parede, de frente para o frigobar que serve de bancada para a cafeteira, quando notei a presença de uma sacolinha transparente com alguns itens característicos. Barra de cereal, manga, maçã e clube social. As chances de uma pessoa que não está de dieta trazer todos esses artigos numa mesma sacola são mínimas, então comecei a suspeitar de que mais alguém no escritório estava de olho no peso.

De volta à minha sala, que divido com um monte de gente, dei uma olhada geral para tentar descobrir quem é que queria emagrecer. Todo mundo estava com a mesma cara de saco cheio matinal de todos os dias, menos... Toda minha animação foi por água a baixo quando defini quem era o candidato potencial a estar de dieta. Por alguns instantes achei que tinha ganhado um cúmplice, alguém com quem dividir as agonias e angustias, mas minhas esperanças foram pelo ralo. A única pessoa inquieta era ninguém mais, ninguém menos, do que da chefinha. Para quem não sabe, a chefinha é aquela que ganhou uma fatia do pernil mas acha que manda no porco inteiro.

Fui para meu lugar e fiquei alguns instantes tentando achar um erro em minha análise, encontrar alguém legal para estar de dieta no lugar da chefinha. Porém, minhas suspeitas se confirmaram. Não demorou dez minutos prá que ela começasse a se queixar de fome. Não demorou vinte minutos para que ela anunciasse a todos que estava de dieta. E não demorou meia hora para que tivesse um ataque de nervos e começasse a tratar mal todos a sua volta. Todo mundo estranhou aquela reação, mas a maioria das pessoas parecia estar disposta a dar um desconto pela nova situação alimentar da gordota. Mas eu não consegui segurar quando ela veio, em um tom absolutamente estúpido, me mandar fazer alguma coisa que nem ouvi e que queria imediatamente. Poxa vida, não contei prá ninguém de lá que eu estava de dieta e faz um mês que seguro as pontas sem encher o saco dos outros. Por que ela, em meia hora, tem o direito de encher o meu saco?

Pois é. O sangue subiu para a cabeça. Levantei, olhei aquela mulher nos olhos e disse “calma. Agora, não dá”. Ainda estou me perguntando por que eu fui fazer isso? Ela se transformou num bicho e começou a avançar pra cima de mim, me encurralando entre a parede e uma mesa. Suas palavras vinham com raiva e eu podia sentir seu bafo desagradável e quente queimando a pele do meu rosto. Decidi fugir. Me encolhi e passei pelo espaço que havia entre a mesa e a parede. Ela veio atrás. Com o canto do olho, ví ela entrando no espaço. Ouvi a mesa reagir, com o rugido feroz de seus pés se arrastando no chão de taco. Não ouvi mais nada. Silêncio estranho, estranho demais para a situação. Resolvi olhar pra trás. A chefinha entalou. Corri para a sala de reuniões antes que ela tivesse tempo de se desentalar e pretendo me entrincheirar aqui até ela arrumar outra vítima.

Acho que sim, mas não posso afirmar.

Estou com uma suspeita. Não tenho muito tempo pra falar, mas acho que tem mais gente de dieta no escritório hoje. Sim, percebi uma movimentação estranha e um tipo diferente de comida na micro cozinha. Você acaba sentindo no ambiente quando uma nova dieta nasce perto de você. Mas não posso escrever muito agora. Vou averiguar os fatos e, depois, volto para contar.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O prêmio e o peso.

Ontem fui à cerimônia de premiação do prêmio paladar. A maneira como consegui o convite até que foi interessante, mas é uma história tão longa que não vou contar aqui. Pelo menos, não hoje. O que importa é que estava morrendo de medo de ir a essa tal dessa cerimônia. Quase liguei pra cancelar umas 10 vezes. Em uma festa pros melhores restaurantes da cidade, as chances de ter comida, quero dizer, muita comida muito boa, irresistível e calórica, eram de 187 pra 1. Mas acabei indo.

Foi uma bela luta contra a marginal congestionada pra conseguir chegar até o hyatt e descobrir que todo o tempo que eu passei subindo de novo, até meu apartamento, pra pegar o convite esquecido, foi em vão, já que não tinha controle algum na entrada. Entrei. Podia ver, em diversas partes do salão, pequenas bancadas sob panelas e na frente de cozinheiros. Já tinha até me conformado que a pesagem de hoje ia ser um problema, principalmente depois do dia desejoso de comida que tive ontem. Digo, coisa boa, dalí, não vinha. Mas, para minha surpresa, a uma  única chance ganhou do 187. De fato, tinha comida. Mas tava ruim. Era uma espécie de degustação de alguns pratinhos e nenhum deles se salvou. Sabe o que é? Tá na moda fazer coisa diferente. Então, tem um pessoal que faz qualquer negócio e acha que ta cozinhando muito bem, mas esquece que fazer isso é super difícil e o sujeito tem que ser muito bom. Não é só misturar coisas inusitadas.

Daí, hoje de manhã (depois das dicas que recebi por aqui, resolvi me pesar de manhã) meu peso perdido está lá. Lá na casa do chapéu. Tô dentro da meta dessa semana.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fome de tudo.

Achava que, depois de mais de um mês de dieta, já estava imune a vontades desesperadoras por comidas que os outros estavam comendo. Aparentemente, me enganei. Assim que sai de casa, pela manhã, e iniciei minha caminhada ao trabalho, dei de cara com uma mãe e uma filhinha, ambas munidas de picolés de chocolate. Tentei não pensar muito no assunto, mas aquela imagem ficou impressa em minha mente e sorvetes dos mais variados tipos, formatos e sabores começaram a me atormentar. Alguns passos depois, passei na frente de uma padaria e, de relance, pude ver um senhor lá dentro, sentado no balcão segurando um pão francês. Eu mereço um chute na canela pelo que fiz, mas fiz. Parei, mesmo que apenas por alguns instantes e o observei levar o pão à boca, dar uma bela dentada com vontade e afastar o pão da boca, deixando no ar um rastro de queijo derretido. Fugi antes que ele desse cabo do queijo.

Às vezes, minha burrice me espanta. Mesmo depois de perceber que o que tinha visto não me fez bem, não mudei meu caminho e passei, como sempre passo, em frente a uma confeitaria. Talvez, se pelo menos tivesse atravessado a rua, poderia ter evitado ver o terceiro tormento da manhã. Uma senhora gorda, bem gorda, com um casaco que chegava a lembrar onçinhas na estampa, se lambuzando com um creme brulee. Os passos seguintes foram os piores, porque estavam acompanhados de uma forte dor de estômago. O pobrezinho se contorcia de vontade e minha boca salivava como a de um cachorro que pede comida a seu dono. E, falando em cachorro, percebi que realmente estava com problemas quando, em frente a um muro, já bem perto do trabalho, me deparei com um desses animais simpáticos de rabo e quatro patas comendo alguma coisa numa quentinha abandonada no meio fio. Minha mente já estava tão atordoada que conseguia distinguir o mundo ao meu redor em apenas duas partes, as comestíveis e as não. Admito que senti vergonha. Admito que ainda estou com um pouco de vergonha, mas desejei, e não posso fazer nada quanto a isso. Sim, desejei que fosse aquele cachorro, pra poder comer o que quer que seja que ele estivesse comendo.

Cheguei ao escritório com uma raiva descomunal do mundo em geral e resolvi descontar. A pobre vítima, minha cenoura que trouxera de casa. Minhas dentadas foram tão violentas e velozes que acabei engolindo uns pedaços inteiros. Pra completar, mordi minha boca. Pelo menos não fiquei com vontade de comer minha própria língua. Já é um progresso, não?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Virou o mês, venceu o cartão.

Pois é, hoje vence meu cartão de crédito. Isso significa que, antes de vir para o trabalho, peguei aquele envelopinho branco destruidor de riquezas que tanto odeio e o abri. É sempre assim, uso uma faca para abri-lo e ele me apunhala de volta com um número assustador estampado. Dessa vez, não foi diferente. Achei mesmo que esse mês seria melhor, já que não comprei vinho nem cerveja nem outras bebidas, o que costuma consumir uma boa parte do meu orçamento. Porém, acabei de descobrir que dieta custa caro pra @#$#%¨%$!!!

Até que faz sentido se parar pra pensar, pois um hambúrguer custa menos de 10 pratas, já uma refeição completa... É tudo culpa das embalagens, que vem numa quantidade maior do que posso comer. Acaba estragando um monte de coisas. Mas realmente não esperava isso. Agora, vou precisar arranjar um jeito de conseguir mais dinheiro.

Já sei, vou jogar na mega-sena. Ou melhor, vou ao jockey apostar em cavalos! Ah, se pelo menos eu tivesse boa sorte. Mas todo mundo por aqui já deve ter percebido que quem joga no meu time é o azar. Talvez eu deva ir ao banco pedir um empréstimo. É, isso pode funcionar! Me animei. Já posso até imaginar a cena, eu, entrando na agência, sentando à mesa do gerente, aceitando o café que ele vai me ofereceria, observando a gola da camisa um pouco maior do que o necessário e dizendo:

- Preciso de um empréstimo. Diria isso com um sorriso cordial, mostrando simpatia mas sem deixar transparecer desespero ou necessidade, apenas vontade.

- Muito bem. O que você pretende fazer com o dinheiro? Retrucaria ele desconfiado, como todo mundo que tem mais dinheiro que você.

- Vou financiar a minha dieta

- Hum, financiar uma dieta, que interessante. Responderia disfarçando sua cara perplexa de “mais que coisa absurda”. Mas qual será o retorno financeiro disso?

- Retorno o quê? Perguntaria com cara de indignação, como se achasse que ele tivesse dito um palavrão.

- Digo, como você pretende pagar o empréstimo de volta para o banco?

- Ahhh, isso? Não se preocupa não. Eu vou... Eu vou... Eu vou... Bem, eu vou emagrecer tanto que vou sumir!

@$%#&&. Acho que gerente algum vai me deixar pegar dinheiro emprestado. Melhor voltar a pensar em corridas de cavalos. Ou corrida dos credores.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Deixe meu carrinho em paz.

Depois de toda a porqueira do almoço de ontem, tinha decidido que um jantar ultra regimático era uma questão de necessidade. Passei um bom tempo tentando escolher um cardápio que não engordasse quase nada mas que também não fosse muito sem graça. Afinal de contras, um pouco de cor no cinza da dieta é necessário para afastar a depressão de domingo à noite. Tá certo que couscous marroquino não deixa de ser uma espécie de macarrão, mas li atrás da caixinha pela metade que habita minha dispensa desde que a dieta começou que poderia comer duas colheres de sopa das deliciosas bolinhas de trigo, acompanhadas de meia sobre-coxa de frango cozida e legumes em uma quantidade razoável.

Umas seis e pouco da tarde, lá estava eu, no supermercado, comprando o resto dos ingredientes para a janta. Passei bem rápido por todas as seções que não vendiam folhas, um truque que desenvolvi recentemente para evitar a aquisição de itens gordurosos (depois explico melhor como funciona). Porém, me demorei bastante na parte dos vegetais em geral. Meu carrinho já estava povoado por um maço de rúcula e alguns legumes quando me lembrei que gosto muito de alho poró e que seu talo saboroso combinaria perfeitamente bem com minha receita, além de suas folhas serem essenciais para o caldo saboroso que iria hidratar o couscous.

E que sorte, restava apenas um alho poró. Uma grande satisfação me atingiu quando peguei meu ingrediente, mas senti um cutucão nada carinhoso antes de conseguir juntá-lo as minhas outras compras. Olhei pra trás pra ver de onde vinha aquela agressão e me deparei com uma velinha meio descabelada, meio corcunda e bastante enrugada. Seus olhos eram inquietos e seus dedos, já não muito retos, apontavam para o alho que ainda segurava. Demorou um pouco para cair a ficha ou para compreender suas palavras, mas a senhora queria minha comida. Meu primeiro impulso foi dar pra ela, afinal de contas, tenho um bom coração e tudo o mais, mas me lembrei o quão importante aquele ingrediente era pra minha receita e desisti da doação. Porém, quando virei as costas e deixei claro para a velinha que ela não teria o que queria, as coisas engrossaram. Ela começou a gritar comigo, querendo brigar mesmo, como se estivesse roubando alguma coisa que era dela por direito. Fiquei meio sem palavras frente a reação dela, mas perdi totalmente a calma quando aquela tampinha enfiou a mão no meu carrinho e tentou surrupiar uma parte importante do meu jantar. Àquela altura, alguns curiosos já tinham se juntado para ver o que acontecia, mas não me importei. Segurei o alho pelas folhas e recuperei meu patrimônio com um puxão. Ela continuou dizendo alguma coisa, mas meus ouvidos já não escutavam. A única coisa que consegui dizer, ou melhor, gritar, foi “eu to de dieta e isso é o meu jantar, então, não tente tirar ele de mim”. A senhora se assustou com meu tom de voz e aproveitei para ir rapidinho para o caixa, antes que ela resolvesse recomeçar a novela.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Quando o tempo passa, a idade ataca.

Eu tenho plena consciência que isso não é uma coisa que deve ser dita em público e não é muito legal nem ao menos pensar nisso, mas precisava desabafar com alguém. Tenho a impressão que a passagem dos anos e o peso da idade está começando a atacar meus pais. Eles estão ficando meio gagas. Só pode ser isso, se não, não tem explicação para o que aconteceu hoje.

Tudo começou lá pelas duas da tarde quando cheguei a casa deles para um daqueles típicos almoços de domingo, com a família toda reunida. Depois de agüentar aqueles olhares de “mais o que é que está acontecendo com você” quando troquei o vodca Martina que papai me ofereceu por uma limonada e, depois de inventar uma ressaca de justificativa, me informaram que um duelo estava ocorrendo. Faz sentido isso? Pois é, pra mim também não fez. Mas, como sabia que seria impossível apenas ignorar a informação e seguir com minha vida, tive que pedir uma explicação mais completa. Foi durante essa explicação que pude perceber que os sinais da velhice estavam avançados. Ambos, pai e mãe, estava duelando para ver quem fazia o melhor lombo recheado. Dá pra acreditar? Sim, eles compraram dois lombos gigantescos no supermercado e cada um fez um, com um recheio diferente.

Como se o absurdo por si só não bastasse, adivinhem só quem eles queriam que julgasse qual dos dois estava melhor? Claro que tinha que ser eu, já que se somarmos a família toda, menos eu, obtemos um numero par. Pois é, me escolheram para o possível desempate. Pensei seriamente em sair correndo quando os pratos começaram a ser servidos e percebi que os dois estavam dispostos a me empanturrar. Porém, concluí que acabaria por ofendê-los, talvez, dada a loucura da coisa, de forma irreparável.

Não comi um exagero nem nada, mas certamente coloquei na pança mais do que devia. Pelo menos foi com comida boa. E como estava boa! Os dois. O combinado era que as pessoas deveriam repetir o lombo de que tivessem gostado mais e é claro que a bola foi deixada pra mim. Depois de todos reencherem seus pratos, deu empate. Por alguns minutos, achei que teria que desencanar totalmente da dieta, mas as habilidades culinárias daqueles que me geraram acabaram por me salvar. Os dois pratos estavam muito bons e não conseguia me decidir entre um ou outro. Foi o que falei, para justificar minha largada de garfo. Funcionou. Por um tempo. Apos alguma discussão sobre a honestidade de minha atitude e sobre como eu era estraga prazeres, minha querida mamãe sugeriu que eu comesse mais dos dois, já que não podia escolher um. Foi nesse momento que eu anunciei para todos que tinha subido no elevador com a vizinha do andar de baixo, a qual estava acompanhada por um rapaz com menos da metade de sua idade. Isso acabou distraindo eles até que a mesa fosse retirada.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Muchas Gracias.

Não sei se perceberam, mas eu ganhei um logotipo. E quero agradecer aqui, publicamente, o designer que desenhou ele pra mim. Achei uma coisa ótima isso, porque aumenta meu comprometimento com o blog, ou seja, agora eu tenho alguém que trabalhou de graça, a titulo de favor, pra mim, e não posso desistir porque seria uma baita falta de respeito. E, quanto mais força tiver o blog, mais força tem a dieta e melhor devem ser os resultados finais.

Conheci o designer ontem na hora do almoço, em um restaurante por quilo perto do trabalho. Ele estava empacado, na minha frente na fila, olhando para as batatas fritas com uma expressão de dúvida mortal. Quando comecei a puxar assunto, queria na verdade que ele desocupasse o lugar logo, já que estava bloqueando meu acesso à salada de cenoura com beterraba, mas papo vai e papo vem, descobri que ele queria fazer dieta, mas não consegui se afastar das batatas. Na verdade esse papo foi meio que instantâneo, mas o suficiente para que ele bloqueasse o acesso de todo mundo da fila a tudo. Quando os outros que também queriam comer começaram a reclamar, ele estendeu sua mão para pegar as batatas e resolver o problema. E eu, numa atitude que julguei ser a mais humana possível, fiz uma boa ação para o próximo. Empurrei ele, antes que seus dedos conseguissem agarrar a pinça. Ele gostou da minha atitude, o que foi um alivio, porque se não tivesse gostado poderíamos estar olhando para um caso de agressão, e acabamos sentando juntos. Contei sobre o blog, sobre a dieta e tudo o mais e, no final do dia, abri meu e-mail, cuja o endereço tinha sido fornecido, e encontrei esse logo. Gostaram??

Outra coisa, queria aproveitar também para agradecer a Juliana Morini e a Fabi, que me deram um selinho. Ainda não entendi muito bem como isso funciona, mas vi que tinha que responder algumas perguntas. Eu não sei responder a todas. Por exemplo, uma delas é “desejo antes de morrer”. Ora, depende do que vai me matar! Se for um acidente de carro, meu desejo é um air bag, se for caindo da escada, meu desejo é uma casa térrea e por ai vai... Ah, se for de fome, meu desejo é... Espera aí que vou fazer uma lista e já volto.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Hora alegre. Alegre, alegre.

Como sempre, ontem foi um dia duro no trabalho. Mas pra mim e mais algumas pessoas foi um dia mais duro do que o normal. A chefinha, vulgo aquela que não é chefe mais está um cargo acima então acha que é dona do mundo, fez uma puta duma cagada, tomou uma puta duma bronca e, para se sentir menos pior, deu em seus subalternos, dos quais eu faço parte, um baita sermão, tentando transferir a culpa. É claro que isso gera um sentimento de revolta, mas na falta de armas para fazer uma rebelião e tomar o poder, concordamos que a melhor vingança era tomar alguma coisa na casa da Claudia, uma moça super bacana que faz parte da equipe.

Antecipando bebida alcoólica, que engorda, não fiz meu lanchinho das 6, tentando calcular um efeito substituição de calorias. O apartamento dela é bem pertinho do escritório e chegamos lá umas seis e quinze. Os copos foram distribuídos entre os seis participantes e enchidos com o conteúdo de uma garrafa de vinho recém aberta. O papo foi, obviamente, sobre a maledeta da chefinha. Estava acabando minha segunda taça quando percebi que meu tom de voz estava um pouco mais alto que o necessário. Meu rosto estava meio quente e a quantidade de palavrões que tinham em minhas frases excediam a quantidades de palavras normais. E daí caiu a ficha. Faz um tempo já que estou de dieta o que significa que faz um bom tempo que não bebo. Somando a esse fato um estômago vazio, que vira apenas meia pêra há umas 4 horas atrás pode-se imaginar o resultado.

Não conseguia controlar minha boca, que não parava um segundo sequer de falar. Fiz força, não adiantou. Tentei não pensar em nada, não adiantou. Levantei e fui ao banheiro passar uma água na cara. Daí tudo rodou. Imaginem só, apenas dois copos de vinho fazendo todo esse estrago comigo! Com o rosto resfriado, consegui controlar um pouco melhor o que saia da minha boca. O problema é que, daí, ela resolveu pedir para que coisas começassem a entrar. O vinho abriu meu apetite de uma forma que diria que a fome que senti naquele momento foi a maior desde que comecei minha dieta. A primeira ideia foi beber mais, comer muito e esperar para que meu corpo embriagado se livrasse de todas as calorias na pia do banheiro antes de capotar na minha cama. Mas, mesmo fora de minhas melhores condições, percebi quão estúpido aquele plano era.

Vi que não tinha muito o que fazer e amaldiçoei a chefinha ainda mais, culpando-a por aquela situação. Tomara que ela torça o dedo! Parei de beber, antes que desse baixaria e, na primeira oportunidade, me despedi de todos e fui embora. Pensei em voltar andando pra casa, mas achei que as chances de parar para comer frituras eram muito altas, então peguei um taxi. Quando cheguei, tomei tanta água antes de comer que achei que iria explodir. Pulei a salada e fui direto para um peito de frango com arroz integral. Por sorte e, aqui, digo como sou uma pessoa sortuda, acabei dormindo no sofá antes que a ideia de me levantar e repetir ganhasse força suficiente para tirar meu traseiro das almofadas.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Menos 7! (anos, não quilos).

Hoje eu acordei mais cedo do que o normal e com mais disposição do que o normal. Tudo isso para ver se minha barriga estava menor do que o normal. Sim, quinta feira, dia de pesagem. Minha semana até aqui foi muito bem. Me surpreendi com o controle que consegui ter, principalmente porque antes dessa dieta, me julgava como um ser incontrolável. Meu problema é que tinha acordado cedo demais e só queria me pesar de noite, então achei que seria uma boa me olhar no espelho da porta do armário e procurar por diferenças. Não podia dizer que tinha perdido peso. Tinha uma barriga antes da dieta, e uma barriga continuava refletida, pendurada bem no meio do meu corpo. E eu, sem condições para dizer que ela estava realmente menor.

Fiquei uns cinco minutos no encolhe – estufa tentando perceber alguma diferença significativa mas minhas descobertas realmente eram inconclusivas. Já estava fechando a porta do armário quando o espelho refletiu alguma coisa que chamou minha atenção. Não era nada de mais na verdade, apenas uma pilha de roupas antigas que eu devia ter derrubado. Fui colocando no lugar aquelas camisetas velhas e desgastadas, que nunca usaria de novo e aquele jeans, dentro do qual passei boa parte de minha adolescência e que há anos não servia e aquele casaco de.... Jeans. É isso! Peguei a calça e passei a mão sobre seu tecido áspero e resistente. Me lembrei de bons momentos que vivi com ela e, antes que pudesse me controlar, minha perna esquerda se vestiu. Depois a direita. Segurava a calça na altura dos joelhos, com um certo receio de subir com força e entalar. Mas não entalou. As pernas couberam. Meus dedos agarraram a parte de cima da calça pelos dois lados e começaram a puxar. Milagrosamente, não foi preciso fazer muita força. O botão cruzou majestosamente toda a extensão do território inimigo e encontrou sua casa. Não ficou folgado nem nada, mas serviu.

Daí, não me agüentei. Fui pra balança. Na minha empolgação, esqueci de tirar a calça e, quando subi, tomei o maior susto. Não tinha perdido quase nada! Mas, quando fiz o procedimento corretamente, lá estava. Menos um quilo e cem gramas! Quem diria que uma calça podia trazer tanta felicidade?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A bronca.

Minhas mãos tremiam e eu não conseguia fazer absolutamente nada para controlá-las. Tentava manter os olhos fechados, como se assim pudesse evitar o futuro próximo, mas tinha plena consciência de que isso não ia acontecer. Criei coragem e espiei a poltrona de couro branco virada para a mesa. Será que deveria me sentar? Não sei se seria educado sentar na sala da chefona antes dela me convidar para fazer isso. Corri os olhos pela sala mais uma vez. Decidi fixá-los na cortina de linho cinza claro. Ela sempre me acalmava. Tive bons momentos lá. Sim, e como tive. Até que me sentia feliz com o fato do destino ter escolhido aquele lugar para me dar seu golpe de misericórdia. Estava tudo acabado, eu sabia disso. Ouvi passos se aproximando. Me virei para a porta e sorri serenamente. Era a hora de encarar os fatos.

Tudo começou hoje pela manhã, quando assim que abri minha caixa de e-mails, encontrei um da chefona, me chamando em sua sala para conversar sobre o jantar de ontem. Não sei porque é tão difícil para as pessoas entenderem que eu estou por aqui de jantar. Principalmente porque os meus tem sidos escassos e deficitários. É isso ai, acho que estou devendo comida! Se bem que já comi tanto nessa vida que, mesmo se ficar sem comer nada, meu corpo não poderá me cobrar. Mas estou divagando. Voltando ao assunto, tinha certeza de uma demissão eminente. Aquele jantar, quer queira, quer não, era minha responsabilidade, e foi um fiasco. E uso o termo fiasco aqui porque foi exatamente essa a primeira palavra que a chefona me disse ao entrar em sua sala.

“Como você serve um jantar daqueles para um cliente importante?” Foi sua próxima frase. Meu nervosismo ia aumentando, assim como minha fome, que se tornava um ser gigantesco e com vida própria. Respirei fundo e comecei a explicar. Queria falar toda a verdade, que foi a chefinha que decidiu fazer o cardápio e que eu não consegui controlar nem dar palpites, mas sabia que isso não iria adiantar. Seria considerado meu erro aceitar esse tipo de interferência na tarefa que ela havia me passado. E na verdade, era mesmo. Foi uma bela duma saia justa. Mas fui me explicando, inventando uma história, colocando a chefinha como personagem coadjuvante... E tudo que aquela que se julga minha chefe tinha de ruim, a chefona tinha de bom. Aquela mulher é o máximo. No meio de minha história ela me interrompeu e colocou ela mesmo a chefinha como personagem principal e culpada de tudo. Soube disso quando ela falou exatamente o previsto “você não devia aceitar esse tipo de interferência numa tarefa que eu te passei. Mas tudo bem” e, depois de me perdoar, ainda me convidou para almoçar e discutir assuntos de trabalho. Eu e ela!!! Daqui a pouco, vamos comer, por sugestão dela, uma salada num restaurante aqui perto. Será isso sorte? Ou ela sabe de tudo que aconteceu na festa e está apenas me cutucando?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O jardim secreto.

Semana passada, quando estava trabalhando no cardápio da festa de ontem, a chefinha veio até mim e disse que era um absurdo uma pessoa da minha idade ficar responsável por organizar um jantar tão importante e ela, que tinha mais idade e mais experiência de vida já tinha assumido a tarefa, falado com um buffet super chique e tudo pronto: o cardápio era rondele. Pra completar, a mesma chefinha que acha rondele chique me informou que eu não participaria do jantar. Estaria presente, mas minha função seria ajudar o pessoal do buffet. Ou seja, sem lugar à mesa para mim.

Ontem, cheguei ao lugar da festa, recebi o pessoal da decoração, da montagem e mais uma porrada de coisas. Dai a equipe do meu trabalho chegou, os convidados da empresa com a qual eu comecei o negócio que comemorávamos chegaram e o buffet soltou os rondeles todos tortos num molho aguado. Não quis nem saber. Tava de saco cheio de tudo. Principalmente por causa da minha dieta, porque não podia nem comer a massa, nem tomar uma dose de alguma coisa forte pra esfriar a cabeça.

Encontrei um pequeno jardinzinho com um banco de praça e o transformei em esconderijo. Não queria ver ninguém. Daí, peguei um prato e tirei da minha mochila um pote cheio de uma bela duma salada, que fiz com o que sobrou da minha sessão de psicologia de domingo com mais alguns ingredientes super vingativos e nem tão regimáticos. Mesmo se não estivesse de dieta, acho que me recusaria a comer o prato que oferecíamos para nossos convidados. Birra mesmo. Admito. Lá pela terceira garfada, apareceu em meu reduto a Paula, moça muito bacana, da empresa convidada, quem primeiro ouviu meu projeto e o levou a seu chefe, o que resultou no negócio fechado e no jantar de comemoração propriamente dito.

Depois dela perguntar o que eu fazia naquele lugar ermo, contei a verdade. Daí, conversa vai, conversa vem e ela, que decididamente não precisa de dieta, acabou pegando um prato e se servindo do meu pote de salada, depois de deixar escapar que a massa que oferecíamos estava terrível. E, de repente, quem aparece procurando a Paula? Sim, o chefão. Dela. Mas, ao encontrar sua funcionária, não disse nada, porque seus olhos grudaram em nossa refeição alternativa. Instantes depois ele voltava do salão com um prato, que encheu com gosto com a salada do meu pote. Ainda bem que, por birra e vingança, tinha levado uma quantidade absurda. Foi uma conversa curta mas muito boa, e agora, pelo menos, também o chefão alheio sabe de quem veio a ideia do projeto no qual ele está investindo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O dia da festança

Não sei se alguém leu o post "Festança", mas hoje é o dia da festa. Não dá pra escrever muito porque está uma correria danada por aqui. Amanhã conto com calma o que aconteceu.

domingo, 28 de novembro de 2010

Tirando a barriga da miséria.

Vocês já ouviram falar em psicologia reversa? Acho que a melhor maneira de explicar é com um exemplo. Sabe quando a criança fica falando repetitivamente para mãe algo do tipo “eu quero nadar no laguinho, mãe, eu quero nadar no laguinho, mas poxa mãe, eu quero nadar no laguinho”? E a mãe, olhando aquela fonte na frente do prédio de escritórios, que, além de ter água suja, não foi feita pra nadar e olhando também para o filho, todo vestidinho para a igreja, fala, já de saco muito cheio: “ta bom, vai nadar nesse maldito desse laguinho”? Bom, isso é a psicologia reversa, porque a criança vai desistir de nadar. Pelo menos uma criança normal.

Tava pensando e percebi que tenho tentado me convencer a me deixar comer o tempo todo. Então, pra aproveitar o domingão, decidi usar essa tal de psicologia comigo. “Quer comer seu poço de banha? Então vai lá, come!”. Sim, isso quer dizer que hoje é um dia que vou passar o tempo todo comendo. Decidi isso assim que acordei, e a primeira coisa que fiz foi ir ao supermercado e comprar provisões. Comprei um monte de salada e legumes. Perdi bem umas duas horas lavando todas aquelas folhas, descascando as cenouras e os rabanetes e cortando em palitinhos os pepino, os nabo e os pimentões.

Todos os horários de lanchinhos e refeições, hoje, foram abolidos. O limite máximo de calorias também não será observado durante esse domingo. Porém, a única coisa que posso comer são as folhas e os legumes e a fruta (tomate) que comprei.

E não é que a danada da psicologia reversa funciona mesmo! Depois de me auto encher inúmeras e incontáveis vezes com a frase “quero comer”, agora posso comer a hora que quiser e adivinhem só? Não quero mais comer! É tipo um milagre! E não estou com fome! Pra falar a verdade, na primeira meia hora comi tanta salada que meu estomago está até se vingando de mim com um princípio de dor e enjôo, mas tudo bem porque é a primeira vez desde que comecei a dieta que não sinto nem fome nem gula!

sábado, 27 de novembro de 2010

Minha doce vida sem feijão.

Como eu queria que todos os dias fossem sábado. Dia de ficar de papo pro ar sem fazer nada, recuperando as energias gastas durante a semana. Como eu queria que todos os dias fossem sábado. Dia de sair com os amigos, ir a lugares divertidos, fazer coisas diferentes. Como eu queria que todos os dias fossem sábado. Dia de feijoada... Espera aí! Isso não é bom. Pois é, foi o que eu pensei quando eu votei em salada para o almoço e o resto dos meus amigos que estavam comigo na saída de uma exposição votaram em feijão.

Lá fomos nós, para um restaurante daqueles que você passa com o prato e vai enchendo de carne de porco, gordura e coisas fritas sem nem ao menos prestar atenção. Eu ia procurar a definição de tortura no dicionário pra mostrar aqui como me senti, mas concluí que seria uma redundância. Digo, quem nunca passou por essa situação!? Bom, é possível imaginar o resultado não? Pois é, o resultado foi que eu paguei extremamente caro por um bocado de laranja, um pouco de farinha e couve sem bacon.

E olha que não foi fácil comer a couve sem bacon. Não apenas psicologicamente, mas o garçom achou uma pílula difícil de engolir que eu não comia bacon. Sua expressão claramente indicava sua descrença de que alguém do meu tamanho não queria comer barriga de porco defumada. Ou melhor, acho que ele não acreditava que alguém pudesse chegar ao meu tamanho sem uma cota diária regular do artigo. Mas depois de uma pequena mentirinha sobre uma espécie rara de alergia, ele acabou quebrando essa pra mim e trazendo uma couve especial da cozinha. Mais que isso, penalizado pelo tamanho do meu prato, acabou cobrando apenas meio preço. Sabe, aquele para crianças de até 12 anos? E mesmo assim, paguei uma fortuna pelo meu almoço.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cadê o meu quilo que estava aqui?

Ontem foi dia de pesagem e, quando subi na balança, depois de todo aquele drama habitual e medo de olhar pra baixo, tive uma agradável surpresa. Continuo dentro da minha meta semanal. Meu peso, hoje, 0,0815 toneladas. Ou seja, perdi mais ou menos 10 oz (onças). E, de fato, me sinto mais leve com esse quilo perdido. E não é só fisicamente não, também rola uma leveza espiritual. Como se minha alma também perdesse peso. Vai ver é isso mesmo.

Mas essa dieta tem me induzido a certas reflexões. Outro dia estava pensando na famosa frase que dizem por aí, ´´O que é o crime de assaltar um banco quando comparado com o crime de fundar um banco``? É engraçado isso, porque fico o tempo todo me preocupando com o que posso comer e o que não posso e resistindo a tentações quando, talvez, devesse apenas me conter na hora de fazer compras. Afinal de contas, o que é o crime de assaltar a geladeira quando comparado com o crime de encher a geladeira? E realmente, supermercado é complicado. Não tenho o hábito de fazer listas de compras ou programar o que vou comer e daí, muito provavelmente por medo de ficar com fome, acabo comprando um monte de coisas. Não preciso dizer que a grande maioria dessas coisas engordam e são desnecessárias. Pois é, não é fácil. Mas, por enquanto, ta dando certo.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Meus queridos estagiários.

Hoje meu dia profissional começou um pouco diferente. Quando cheguei ao escritório, estavam falando que os novos estagiários seriam entrevistados. Uns cinco minutos depois, falavam que alguém iria entrevistar os novos estagiários. Mais cinco minutos, disseram que os candidatos tinham chegado e que alguém me escalou para entrevistá-los. Dá pra acreditar? Eu vou ganhar um estagiário? Não! Minha vida vai melhorar de alguma forma com novos estagiários no pedaço? Não! Então porque raios eu que tenho que entrevistar eles?

Meu humor não estava em sua melhor forma quando entrei na salinha pequena cheia de cadeiras com aquelas mesinhas grudadas, como no colégio, e cheio de gente muito mais arrumada do que o necessário sentadas nelas. Depois de uma troca de amenidades, peguei a pilha de currículos, fingi que dei uma lida e comecei a perguntar quem era quem, onde estudavam, o que faziam e... sei lá, um monte de coisas.

Era a primeira vez que estava do lado de cá de uma entrevista e não sabia muito bem o que perguntar. Mas achei que seria bem rápido. Não foi. Tinha mais gente do que imaginava e não tinha a menor ideia de como ia escolher alguém. Além disso, achava totalmente injusto com eles que eu tivesse que entrevistar, porque acabaria contratando o mais simpático. E assim foi, perguntas e respostas (acho que a maioria das respostas não eram lá muito sinceras) até que começou a chegar próximo das 9 horas. E sabe o que acontece todos os dias às 9 horas? É hora do meu lanche. E eu, mais uma vez, sem comida.

E daí eu cometi o erro. Deixei transparecer que estava com fome. Não tenho certeza de como eles perceberam, mas acho que foi quando eu disse “nossa, que fome”. Pareceu sorte quando um dos candidatos tirou do bolso do paletó um pacotinho de bolachas e me ofereceu. Mas foi um baita dum azar. Vi no rosto de todos os outros candidatos uma expressão de desespero e suas reações imediatas foi começar a procurar nos bolsos e bolsas toda espécie de comida que tinham. Como se me dar comida fosse aumentar suas chances de conseguir uma vaga! Fiquei numa sinuca porque, se comesse tudo, quebraria a dieta. Se escolhesse apenas alguma coisa, eles achariam que estava vendendo a vaga por comida. Problemão. Mas a gota d’água foi quando uma menina depositou na mesa uma barra de chocolate. Desesperei. Levantei, mandei todo mundo pegar suas comidas de volta e saí da sala. Fui direto falar com a chefona, dizendo que tinha gostado de todos, não conseguia escolher um e como o estagiário seria dela, então ela que escolhesse aquele que mais lhe apetecesse. E fui pra minha mesa comer meu próprio lanchinho.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

As dores do final de ano

Eu não tinha ideia de como meus joelhos são importantes para mim. Sempre gostei de ter eles, no sentido de que era melhor do que não ter, mas como nunca tinham sofrido nenhum tipo de machucado mais profundo que uma ralada, então nunca valorizei muito sua presença. Mas depois da minha idiotice ou talvez estupidez com a porta do forno as coisas mudaram drasticamente. Ta super difícil de andar, a perna dói e o joelho não dobra direito.

Isso não quer dizer que desisti da caminhada para o trabalho. Vou bem mais devagar, mas ainda vou. E tem um pessoal na rua me olhando muito estranho porque de vez em quando, naquelas horas que a dor aperta mesmo, dou um gritos e depois tento disfarçar e faço como se nada tivesse acontecido. Talvez devesse explicar para os outros pedestres qual o meu problema.

Bom, mudando de assunto, já que escrever não vai aliviar a dor das pernas, me livrei do panetone. Assim que entrei na sala de reunião e vi o panetone em cima da mesa torci o nariz e falei bem alto pra todo mundo ouvir e ninguém me encher o saco, ‘’mais que droga, já começaram a vender isso daí? Olha o cheiro que fica pela sala.” Funcionou, alguns olharam espantados provavelmente pensando em como podia existir uma comida que eu não gosto mas outras pessoas, mais auto interessadas, deixaram transparecer uma expressão de “melhor assim, mais pra mim”. Só que isso foi uma mentira deslavada e talvez comprometedora. Deslavada porque eu adoro panetone. Comprometedora porque talvez as pessoas não esqueçam de minha frase e, na hora de trocar presentinhos de final de ano, talvez optem por não me dar panetones. Ai ai ai. O que fui inventar. Mas talvez isso seja para o bem. Espero.

Esse papo todo de frutas cristalizadas me leva a seguinte questão. Não sei como vou lidar com o natal. A dieta continua dia 24? Vou me esconder do peru? Ou dia 24 é liberado e posso me esconder no peru? Não sei. Ainda não decidi isso. O que vocês vão fazer? Comer ou regimar?